Quando o assunto é tão bom que não cabe em um só livro.

Hoje escolhemos falar de sagas, em homenagem às histórias tão boas, que ficamos felizes porque o autor resolveu continuar a obra em mais de um livro.
Uma saga pode ser, e muitas vezes é, uma obra de só livro, como “Cien años de soledad”, de Gabriel García Márquez, e pode até ser escrita versos, como “A Odisseia”, de Homero, antigo poeta grego, ou a obra mestra “Os Lusíadas”, do português Luís de Camões. Mas não é dessas sagas de um só livro que vamos escrever hoje, mas daquelas que renderam mais de um, ou até vários livros em sequência.


Uma das coisas mais interessantes dos livros que contam grandes histórias é que elas se referem a um longo período de tempo, e por isso são histórias com muitos personagens, vivendo situações complexas ou simples, como a própria vida, e o tempo passa, como o vento, já dizia Érico Veríssimo, e vão ficando as histórias contadas oralmente, ou aquelas que procuram também deixar o registro histórico do período que narram.


E por isso escolhemos “O tempo e o vento”, do escritor gaúcho Érico Veríssimo, para ser nossa primeira saga deste artigo. Trata-se de uma das histórias mais apaixonantes da literatura brasileira, pela história em si, e pela forma como Veríssimo a conta. A trilogia conta com três livros, que foram escritos e publicados entre 1949 e 1962, abrange um período de 200 anos de história, e procura contar a saga daqueles que formaram o Rio Grande do Sul e a sociedade rio-grandense. São eles:


• O continente – Neste primeiro romance, Veríssimo traz as raízes do Rio Grande do Sul. Devido ao momento histórico que vivia-se no Brasil (com o fim do Estado Novo) e no mundo (fim da II Guerra Mundial) quando a obra foi escrita, ele volta no tempo e procura no passado as questões da formação política e social da região. Aborda com muita paixão as questões das guerras civis, que culminaram com a criação do Rio Grande do Sul como Estado brasileiro.
• O retrato – Conta quando Rodrigo Terra Cambará, personagem principal de toda a saga, volta à sua cidade, Santa Fé, depois de terminar seus estudos de medicina, em Porto Alegre. Ficam claros e bem narrados os jogos e interesses políticos dessa passagem para o Séc. XX e a decadência social da região.
• O arquipélago – Trata este último romance da trilogia, da volta de Rodrigo Cambará a Santa Fé, depois de passar muitos anos no Rio de Janeiro, ao lado de Getúlio Vargas, seu aliado e amigo. Dessa forma, o poder da família Terra Cambará, que era regional, nesta última fase torna-se de âmbito nacional. No fim do Estado Novo, Rodrigo está doente, derrotado politicamente. E luta para não morrer na cama, pois diz que “Cambará macho não morre na cama”.

É sem dúvida o maior romance histórico da literatura brasileira, e leitura imperdível. Há porém os que criticam o exacerbado tom regionalista e patriótico, e a intrínseca aprovação da violência sempre que for para defender a honra, a própria terra e a pátria.

E vamos então para nossa segunda e última saga de hoje, e para um produto literário totalmente diferente: Harry Potter, de J. K. Rowling. Há quem “torça o nariz” para esta obra, porque ao lançar o primeiro livro: Harry Potter e a pedra filosofal, a escritora era desconhecida, e suas personagens eram boas, mas não tinham tanta consistência, segundo a crítica de Michael Winerip, do New York Times. Outros críticos foram elogiosos desde o primeiro momento.

O fato é que o livro foi uma sensação e um êxito de vendas sem precedentes, assim que foi lançado. Depois do primeiro livro, crianças, jovens e adultos fizeram filas nas portas das livrarias quando foram lançadas as sequencias da novela. A história principal trata de Harry Potter, menino de 11 anos que descobre que é bruxo, e da amizade com outros meninos bruxos da sua idade, com seus professores e outros habitantes de Hogwarts, a escola de magia que frequenta.

Os oito livros da saga de Rowling foram crescendo em dramaticidade e complexidade, tanto da trama quanto das personagens, à medida que estes deixaram de ser crianças e se tornaram jovens.

Seus livros tem encantamento, suspense, perigo, um jogo original, o Quadribol, corujas como mascotes, e muitas cenas de magia, com direito a varinhas mágicas e poções, mas também destruição, ameaças e morte. Rowling aborda também temas como preconceito e discriminação em todos os seus livros, pois considera que é um tema que permeia a vida de crianças e jovens. É nítida a influência de personagens da mitologia e de lendas universais, e ela constrói os nomes de pessoas, lugares e feitiços, com muito cuidado, com vocabulário próprio da astronomia, história, geografia e de vários idiomas, em especial do latim.

Outras sagas importantes ficam para nossos próximos artigos, e como sempre, convidamos você a deixar sua opinião sobre estes livros e outros que está lendo ou gostaria de ler.

Graciela Botella
Equipe de redação da PoloBlog


Fontes:
ATHAYDE, Tristão. Érico Veríssimo e o antimachismo. In: CHAVES, Flávio Loureiro (Org.). O contador de histórias: 40 anos de vida literária de Érico Veríssimo. Porto Alegre: Globo, 1972. p. 86-102.
BORDINI, Maria da Glória; ZILBERMAN, Regina. O tempo e o vento: história, invenção e metamorfose. Porto Alegre: Edipucrs, 2004.
https://www.latercera.com/noticia/harry-potter-fenomeno-literario-cumple-20-anos/
http://movies2.nytimes.com/books/99/02/14/reviews/990214.14childrt.html