O trabalho do tradutor

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O trabalho do tradutor

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Written by Catherine Meira

27 de maio de 2021

COMO É O TRABALHO DO TRADUTOR LITERÁRIO?

Sabe aquele famoso diálogo do “mas tudo isso para arrumar um computador? Vão ser só 15 minutinhos”? Existe para todas as profissões! Algumas, que realizam consultas rápidas ou trabalham de maneira “confortável”, costuma ser mais julgadas por quem não participa dessa realidade. É o caso do técnico em informática, do pintor, do artesão e até daquela pessoa que vai na sua casa para treinar seus cachorros. Hoje, vou falar de uma dessas profissões ligadas ao mundo editorial, que é o tradutor.

Geralmente as editoras contam com vários profissionais que fazem a tradução de seus livros. Isso cria uma variedade maior de estilos de escrita, escolhas de palavras, desenvolvimento literário dando-lhes identidade. Para muitos profissionais, talvez pareça um trabalho confortável, já geralmente e é feito em casa e o profissional escolhe o seu horário de trabalho, mas é importante lembrar que há muitas variantes e, como muito preparo, como em qualquer tarefa profissional!

Escrito por Catherine Meira

Catherine Meira, 28 anos, professora de inglês/português formada e estudante de pedagogia. Atua na área editorial há seis anos, apaixonada por literatura clássica, feminista e fantástica. Adora escrever textos que expressem sentimentos profundos ou façam as pessoas refletirem sobre um acontecimento/situação/época!

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  Mas, afinal, por que pagar por algo que o Google faz de graça?

Essa é clássica! Já ouvi muito por aí. Quando eu era mais nova, também pensava que apenas saber inglês era o suficiente para fazer uma tradução melhor do que a de muitos livros traduzidos que encontrava.

Quando estamos aprendendo um idioma, nossas traduções quase sempre são literais e, se as pessoas não usam as mesmas palavras, acreditamos que não é um bom trabalho. Foi apenas concluindo a faculdade de letras, trabalhando no editorial e lecionando inglês, que pude entender que a qualidade de um texto vai muito além de palavras marcadas e traduzidas com perfeição ou pontuações!

Então, o que um bom tradutor literário precisa fazer?

Antes de tudo, um bom tradutor literário precisa conhecer livros! O ideal é que o tradutor não somente pegue um livro na hora que vai começar a traduzi-lo, mas que conheça o autor e outros trabalhos dele para saber como o autor escreve e como ele consegue manter a emoção no texto. Ele precisa de empatia, para entender o que o autor quer transmitir, assim como ler resenhas, saber o que os leitores pensam desse autor e seus trabalhos e entender o vocabulário usado. Não é apenas traduzir, mas manter a identidade do autor e escolher as melhores palavras possíveis para fazê-lo, sem fugir das regras gramaticais do idioma traduzido, da coerência e coesão das frases. Ele precisa se perguntar, e responder a si mesmo: “Como este autor escreveria esta frase se estivesse escrevendo no idioma para o qual traduzo? Como se expressaria se estivesse transmitindo essa ideia neste idioma?”
Um bom tradutor é um escritor completo! Ele entende o sentimento de seus colegas autores, o público, o gênero literário que traduz, os temas e tendências, além de vocabulário mais usado nos livros atuais. Para isso, é importante não apenas se manter atualizado com o idioma a traduzir, como também ser um leitor ávido e entender os tipos de livro que estão em alta e como são escritos. Não é apenas estudar e aplicar, é vivenciar o idioma, a cultura e a rotina proporcionados!

Considerando a profissão tradutor, existem quatro tipos de traduções mais conhecidos:

1. Tradução literal
É a tradução de arquivos, documentários, alguns documentos, roteiros e conversas em tempo real. Muito praticada por intérpretes e tradutores simultâneos. Em tempo real, exige muito conhecimento e dedicação, mas pode ser um pouco mais fácil quando feita por canais escritos, necessitando apenas um dicionário e conhecimento da língua.
“Todos os bons livros se parecem: são mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.”
– Ernest Hemingway

2. Tradução interpretativa
Nesse tipo de tradução, o tradutor adequa o idioma à sua melhor versão na língua a ser traduzida. Requer conhecimento, vivência e boa gramática. Muito usada em textos jornalísticos, acadêmicos e comerciais.
“Os preconceitos, todos sabem, são mais difíceis de erradicar do coração cujo solo nunca foi revolvido nem fecundado pela educação. Eles se enraízam ali, firmes como ervas daninhas no meio das pedras.”
– Charlotte Bronte

3. Tradução investigativa
Geralmente, essas traduções são feitas quando o tradutor também precisa complementar o texto. Textos com poucas informações ou que precisem ser explicados porque a referência não é entendida por não falantes do idioma, como trocadilhos ou textos de época, são feitos por esse tipo de tradutor.
“Exemplo: Why didn’t the Skeleton go to the party? Because he had Nobody to take.
‘Por que o esqueleto não foi à festa? Porque não tinha ninguém para levar.
Essa piada faz sentido em inglês porque a palavra ‘nobody’ significa ‘ninguém’, mas, se lida em sentido literal, pode significar ‘nenhum corpo’.”

4. Tradução juramentada
É uma tradução oficial de documentos, geralmente para fins legais ou legitimações. Só pode ser feita por um tradutor juramentado concursado.

Dentro da profissão de tradutor, existem muitas classes de tradução, baseadas em temas e gostos. Um bom tradutor juramentado talvez não seja um bom tradutor literário e vice-versa. Por isso, é sempre importante conhecer e pesquisar sobre esses gêneros e não desistir! Existem muitos temas sobre os quais você pode se interessar e se tornar um ótimo profissional, assim como também encontrar um ótimo profissional para traduzir sua obra do jeito exato que você quer!

 

Sobre o autor

Catherine Meira

Catherine Meira, 28 anos, professora de inglês/português formada e estudante de pedagogia. Atua na área editorial há seis anos, apaixonada por literatura clássica, feminista e fantástica. Adora escrever textos que expressem sentimentos profundos ou façam as pessoas refletirem sobre um acontecimento/situação/época!

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