Capítulo I: Drácula, de Bram Stoker

Recebi da Polo a incumbência de escrever sobre os personagens mais importantes e expressivos da literatura mundial. Pensando na literatura clássica e livros que me iniciaram no mundo da literatura, vim falar sobre um dos personagens mais icônicos da literatura vampírica: Drácula.
Ele é o protagonista do romance homônimo escrito por Bram Stoker em 1897. O personagem principal, Drácula, é baseado no conde Vlad Tepes, o empalador, uma figura real da Valáquia em 1448. Era conhecido como Drakul, o que fez com que o apelido Drácula fosse atribuído a ele quanto à inspiração para o personagem vampírico. Vlad teve uma vida de guerra e conquistas na Valáquia e era muito conhecido por empalar seus inimigos como parte do expurgo que fazia. Foi muito temido em seu tempo e região, e um grande general.

No livro de Bram Stoker, sua história é um pouco diferente. Drácula é um templário que descobre ao voltar de uma missão pela Igreja onde a sua amada se suicidou, ao pensar que ele havia morrido. Por cometer suicídio, é negado a ela um enterro Cristão e isso faz com que o conde renegue a Deus e sua fé. Amaldiçoando seu destino e o tempo investido em proteger a Igreja, Drácula é amaldiçoado por Deus. Sua maldição é a vida eterna nas trevas e a sede por sangue. Ele se tornaria uma besta, sem jamais ver a luz do sol novamente ou sentir qualquer gosto que não fosse o da vida de suas vítimas.


“Mais uma vez, bem-vindo à minha casa. Venha livremente, saia em segurança; deixe um pouco da felicidade que você traz. ”

Uma incrível curiosidade sobre Drácula é que o livro só perde em publicações para a Bíblia hoje em dia, mas não fez tanto sucesso quando foi lançado. Com o livro The Vampyre, de Polidori, o mito dos vampiros começou a se espalhar novamente na Europa, mas demorou um pouco para que alguns clássicos fizessem sucesso. O cenário da Inglaterra vitoriana também ajudou a espalhar a popularidade da obra, já que foi o ambiente de diversos livros e personagens famosos, como Sherlock Holmes.


Apesar de diversas séries e releituras, podemos apenas estudar e imaginar a psicologia e soberania do personagem, já que o livro, contado através de cartas majoritariamente escritas por Jonathan Harker, não nos fala sobre a pessoalidade de Drácula, mas sim sobre suas ações e a maldição sofrida.


“Considerados como mortos que saem de seus túmulos após o pôr do sol, para sugar sangue dos vivos, os vampiros derivam de crenças que já faziam parte da cultura de muitos povos da Antiguidade, como os babilônios, hebreus, mesopotâmios, gregos, romanos, maias, astecas, entre outros. Entretanto, naquela época, o termo que designa tais criaturas nem sequer havia sido criado. Além disso, os vampiros não precisavam necessariamente morrer para adquirir poderes sobrenaturais e nem dependiam do sangue humano para sobreviver. (CHEVALIER e GHEERBRANT, 2009)


Entre as lâmias, strigoi e vampiri, a lenda utilizada por Bram Stoker foi remodelada. Em tempos onde as doenças e males da natureza afligiam muito as povoações, era necessário explicar de alguma forma por que o clima se comportava da maneira como se comportava e por que sofríamos com as mudanças da vida. Com pouca ciência disponível além do que víamos a olho nu, os mitos eram a maneira mais fácil e acessível de explicar o que acontecia. O mito do vampiro foi muito utilizado para falar de doenças que acometiam famílias inteiras, problemas sanguíneos e mortes deteriorantes.


Mesmo sem muito material disponível no livro, sabemos que o conde é um homem que renegou tudo que acreditava para se vingar pela perda de sua amada e isso o transformou em um monstro. Assim, o amor e as pessoas nada importavam para ele, até conhecer Jonathan Harker e, consequentemente, Mina Murray.

“Há coisas escuras na vida e há luzes, você é uma daquelas luzes, a luz de todas as luzes.”

“Eu cruzei oceanos de tempo para te encontrar.”

Mina é a reencarnação de sua amada e a conexão dos dois começa a reaparecer. Ele se expõe ao se aproximar de Mina, mas sua natureza é inegável. Assim, a melhor amiga de Mina, Lucy Westenra, sucumbe nas mãos do príncipe e se torna também uma vampira. Em meio a esses acontecimentos, a ruína do conde Drácula entra na história: o médico ocultista Abraham Van Helsing.


Com o auxílio de Van Helsing e o descuido do conde ao tentar trazer sua amada para seu lado novamente, os personagens conseguem emboscar e matar Drácula usando sua nova ligação com Mina. Apesar de o filme trazer um fim diferente, onde o conde morre nos braços de sua amada, o livro acaba com ele sendo morto em seu caixão. Diz-se que ele tem um sorriso no rosto ao ser eliminado e o mesmo acontece a Lucy. Isso mostra que, uma vez livre da maldição de vagar eternamente com sede de sangue e sem nunca poder ver a luz, sua alma se alegra e pode ascender aos céus, mesmo que suas memórias da mulher que amou sejam apagadas. Mina pode, finalmente, viver ao lado de Jonathan sem se lembrar de sua trágica vida passada e Drácula paga por seu perjúrio, podendo, assim, renascer e, talvez, reencontrar sua alma gêmea.


Basicamente tudo o que o conde faz é por amor. Sua vida eterna e tormentos contra a humanidade são parte da maldição, mas tudo isso faz com que ele possa ver sua amada novamente, confirmar que Deus deu a ela a chance de renascer e ser feliz, apesar de o fim trágico que teve por ser contra os princípios cristãos. Na maioria das adaptações de Drácula, como o filme Drácula untold e a animação da Netflix Castlevania, o amor continua a ser o principal guia da maldição de Drácula.

– “Você acredita em destino? Que até os poderes do tempo podem ser alterados para um propósito? Que o homem mais sortudo deste mundo é aquele que encontra o amor verdadeiro? ”


Esse personagem mostra o lado negro da humanidade. Mostra como um coração partido pode mudar tudo o que acreditamos. O amor é perigoso, ao mesmo tempo que cura, também deixa marcas impossíveis de remover e, por isso, Drácula é meu personagem favorito da literatura!
Logo falaremos sobre muitos outros personagens, fiquem atentos!