Nasceu ninguém sabe onde,
alguns diziam no reino de Aiza.
Outros, todavia, noutra galáxia,
Bem distante de Hademordna.

Andava pelas ruas de dia e de noite.
Certa ocasião perguntaram seu nome.
Ele ficou calado, quieto como a morte,
E, então, alguém chamou-o de Sarscov.

Esse era o nome de um bardo antigo
que, ao escrever seus poemas, chorava.
Conta-se até hoje que suas lágrimas
eram geladas e seus olhos cor de prata.

Onde quer que Sarscov estivesse,
revelações de todo tipo aconteciam.
Ateus começavam a fazer preces
E até os grandes e fortes tremiam.

Alguns príncipes o subestimavam
E agiam como se ele não existisse.
Mas, onde ficava, não havia vida sã,
nem alegria, somente olhares tristes.

Quem era afinal esse tal de Sarscov?
Capricho do destino? Anjo da fatalidade?
Mistério? Inimigo de ricos e pobres?
Visitante maldito? Uma praga na cidade?

Uns diziam que tudo só iria melhorar
depois que o dito cujo fosse  embora.
Outros perguntavam: Qual, qual será
o desfecho dessa escabrosa história?